A DIVERSIFICAÇÃO DA FAMÍLIA ATUAL E SUA INFLUÊNCIA NA EDUCAÇÃO

Elizabeth Schenker*

 

Instrumentalizar Pais e Professores a propiciarem experiências de Aprendizagens Mediadas de qualidade é a ferramenta que auxiliará a prevenção de dificuldades de aprendizagem em nossas crianças.

 

Um autor desconhecido escreveu um livro com o seguinte título: “Regras para educar os filhos”; após algum tempo, um segundo livro: “Sugestões para educar os filhos”. Alguns anos mais tarde: “É possível educar os filhos?”

Para se falar sobre um assunto tão complexo, eu precisaria não de algumas linhas, mas, provavelmente, de várias páginas e, nem sei, se seriam suficientes.

Ao pensarmos em Educação temos que entender que ela se inicia com a família, se aprimora na escola, para ser aplicada na vida. E o que vem acontecendo com a família?  Vem sofrendo transformações enquanto grupo, como também quanto a seus membros individuais. Fatores econômicos e culturais fizeram com que as mulheres ingressassem no mercado de trabalho, reconfigurando os papeis do homem e da mulher e, conseqüentemente, as funções de pai e mãe.

A Educação de valores passou a ser função não só da família como da escola, que também está passando por um período de reformulação para agregar ou devolver este papel. A Educação tradicional foi sendo questionada e os valores morais re-significados; o que gera, a principio, insegurança para todos os responsáveis pela educação de nossas crianças.

Não existe mais um único padrão de estrutura familiar: pais separados, mulheres ou homens que criam sozinhos os seus filhos, casais homossexuais, crianças educadas por avos, tios, entre outros. Porém, com certeza, tanto a família quanto a escola desejam a mesma coisa: preparar as crianças para o mundo; e assim como a família tem as suas particularidades que a diferenciam da escola, a escola tem sua metodologia e filosofia para educar as crianças.

E o que significa Educar? Educar é desenvolver o potencial de aprendizagem. E o que quero dizer com Potencial? Potencial é o que o indivíduo traz consigo – sua história sociocultural, afetiva, habilidades psicomotoras e cognitivas.

Falar em Educação é levar em conta os fatores relacionados à escola, família e à própria sociedade. Esta interação nos leva, a analisar os aspectos cognitivos, culturais e afetivos que influenciam no processo de aprendizagem. Sob o nosso ponto de vista, o que integra e harmoniza todos estes aspectos é a presença de Experiências Mediadas.

Como então desenvolver este potencial?

Reuven Feuerstein, renomado psicólogo israelense, diretor do ICELP (Centro Internacional para o desenvolvimento do Potencial de Aprendizagem – Israel), ao qual representamos no RJ, elaborou uma teoria, logo após a 2ª Guerra Mundial, sobre como aprendemos e uma metodologia que viabiliza a aquisição de informações que irão gerar novos conhecimentos.

A metodologia da Mediação envolve alguém com mais experiência e conhecimentos - mediador, que se interpõe entre o estímulo, proveniente do meio, e o mediado.

O mediador tem uma intenção clara e objetivos a serem alcançados com uma determinada aprendizagem; por acreditar que aquele estímulo que quer transmitir será apreendido pelos mediados, se utilizará de tantas estratégias quanto forem necessárias para alcançar este objetivo. A resposta vem com a reciprocidade do mediado que, com a orientação e ajuda do mediador, irá buscar junto com o mediador uma forma mais eficaz de apreender na sua totalidade o que o estímulo (informações) estiver oferecendo.

Portanto, ambos constroem um significado para aquela aprendizagem, atribuindo um valor que desperta a necessidade para aprender. O mediador também vai além das necessidades do mediado, incentivando-o a fazer pontes deste novo aprendizado com conhecimentos anteriores, aplicando-os na vida prática, escolar, familiar e outros contextos.

A Mediação é a porta que se abre para que as crianças possam “ver”, “ler” e “compreender” o mundo com outros olhos; para atuarem de forma autônoma, criativa e independente! Assim, os fatores orgânicos, emocionais, cognitivos ou familiares, não serão determinantes para uma performance cognitiva ineficiente, caso haja qualidade e quantidade suficientes de Experiências Mediadas.

Devemos ter consciência que a hora é de instrumentalizarmos pais e professores na metodologia da mediação, prevenindo as inúmeras dificuldades de aprendizagem que nossas crianças vem apresentando.

 

* Elizabeth Schenker - Supervisora e Terapeuta Psicopedagógica; Sócia-Gerente do NDPC – Núcleo de Desenvolvimento do Potencial Cognitivo-NDPC, Coordenadora do Projeto Um Passo A Mais - desde 2000; Psicóloga – CRP 05/7456 – Universidade Santa Úrsula-RJ; Formação no Programa de Enriquecimento Instrumental – Nível I e II-ICELP/Israel;Formadora de Aplicadores no Programa de Enriquecimento Instrumental - Nível I e II - ICELP/Israel;Formação em Avaliação Dinâmica do Potencial de Aprendizagem – LPAD I-Madri/Espanha.