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A MODIFICABILIDADE COGNITIVA ESTRUTURAL E A INTELIGÊNCIA Nadya Alcaraz* Reuven Feuerstein, criador da Teoria da Modificabilidade Cognitiva Estrutural, é extremamente otimista em relação ao desenvolvimento humano. Para ele, todos nós, independente da existência de fatores hereditários, orgânicos, da maturação emocional ou cognitiva, do ambiente, status sócio-econômico e diferenças culturais, somos capazes de transcender a nossa realidade atual e nos desenvolvermos muito além do previsível. Refere-se mais especificamente a modificabilidade estrutural do conhecimento e à inteligência. Idéias que movem a sua crença: Todo ser humano é mutante, está constantemente aberto à modificação. Crescer não é tudo, é preciso se desenvolver para a vida. Não existe nada no ser humano que esteja determinado e concluído. Todo o ambiente pode se modificar para ratificar a modificabilidade individual. Portanto, a Modificabilidade Cognitiva Estrutural do indivíduo se define como a capacidade de se partir de um determinado ponto do desenvolvimento do indivíduo em um sentido diferente do previsto em seu desenvolvimento geral. Porém, devemos entender a modificabilidade como ampla; não se dá apenas no contexto cognitivo, mas também, no âmbito emocional, social etc. A modificabilidade possui níveis que variam de pessoa para pessoa devido às condições que ela traz consigo, como a sua predisposição orgânica, condições ambientais e familiares, dentre outras. Deve ser entendida como específica de cada um. A modificabilidade é contínua; independe da idade, do nível de comprometimento da pessoa ou causa de seu problema. Logo, modificação se refere a todos os comportamentos que são produtos dos processos de desenvolvimento e maturação do sujeito; ao passo que modificabilidade é a flexibilização da estrutura mental/emocional/social do indivíduo. Como dissemos anteriormente, outro conceito fundamental é como Feuerstein define inteligência. Segundo sua visão, a inteligência compreende um conceito amplo; é vista como um processo dinâmico, flexível, que tem como resultado uma adaptação. A inteligência é vista como plástica, onde a nova informação penetra no esquema mental prévio do sujeito e o altera para que fique compatível, se adapte e se torne perene. A essência da inteligência não se manifesta em um dado mensurável em seu desenvolvimento, mas sim na construção ativa do indivíduo; sendo dinâmica e, conseqüentemente, alterável. A concepção dinâmica da inteligência leva Feuerstein a considerá-la capaz de modificações em ajustes sucessivos das aprendizagens até se alcançar o nível estrutural. A inteligência é vista como capacidade de adaptação no sentido de ação; em como entender e atuar no meio de maneira mais plena. Portanto, a inteligência pode ser entendida como sinônimo de modificabilidade, sendo o nosso papel como mediadores ajudar as pessoas a descobrirem o seu próprio potencial e atuarem melhor na vida.
Nadya Alcaraz – Psicóloga (PUC/RJ), sócia-gerente do Núcleo de Desenvolvimento do Potencial Cognitivo. Aplicadora, Formadora e Supervisora do Programa de Enriquecimento Instrumental e Metodologia da Mediação. Formação em avaliação LPAD (ambos pelo ICELP/Israel). Especialização em Psicologia Clínica (PUC/RJ). Especialização (em desenvolvimento) em Arteterapia em Educação e Saúde (UCAM). Coordenadora do Programa Um Passo a Mais, IPA/RJ. . |