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COMO PREPARAR A CRIANÇA PARA SER AGENTE AUTÔNOMO DO PRÓPRIO PROCESSO DE APRENDIZAGEM Teresa Pereira* Não basta… - Repassar os conhecimentos que foram elaborados por nós, através do nosso funcionamento cognitivo e das nossas experiências, ao outro. Freqüentemente dizemos aos nossos filhos: “Já passei por isso; então, faça assim”... Não basta… - Expor o indivíduo frente aos estímulos e situações que envolvam conteúdos formais e acharmos que eles, por si só, serão suficientes para promover o desenvolvimento de esquemas organizados que permitam ao indivíduo captar, elaborar e gerar a aprendizagem proposta. Freqüentemente são solicitados aos alunos trabalhos de pesquisa e provas, no intuito de avaliar seu desempenho e produção de novos conhecimentos; porém, essas estratégias não surtem o efeito esperado, pois muitas vezes não reconhecem os processos cognitivos e o comportamento compatível que precisam adotar, para aprender. •Uma aprendizagem, para se tornar significativa, requer a ativação de processos mentais complexos e uma atitude organizada para aprender; portanto, deixá-los sozinhos é acreditar que os processos mentais organizados surgirão por si só. •Vejamos esse exemplo: O fato de enterrarmos uma semente no solo não é suficiente para que ela possa se desenvolver utilizando todo o seu potencial, é preciso também monitorá-la; ou seja, precisamos estar atentos para qualquer dificuldade que apareça no decorrer do seu desenvolvimento. Quanto mais cedo intervirmos, mais e melhor o desenvolvimento da semente se dará. •Ao acreditarmos que todos podem aprender, independente da dificuldade que apresentem, estamos afirmando que todos possuem as estruturas para aprender; porém, se não houver um ser humano capaz de promover situações de desafios, é bem possível que as estruturas não se desenvolvam de maneira optima. Para Feuerstein, as situações de desafios associadas à interação mediada propiciam aprendizagens significativas. •Uma vez que nos tornamos conscientes, como mediadores, dos pré-requisitos exigidos na realização de uma tarefa e dos comportamentos requeridos, torna-se possível planejar nossa intervenção. •A intervenção mediada deve se propor a desenvolver, nos mediados, os esquemas mentais e a auto-reflexão acerca dos comportamentos adotados por ele ao aprender, para que sempre que se vejam expostos em situações de aprendizagem possam se auto mediar. •A fim de ajudar–nos, Feuerstein elaborou tanto o mapa cognitivo[1] , com o propósito de podermos identificar os processos mentais requisitados na aprendizagem, quanto à metodologia da mediação[2] , que possibilita formar nos mediados hábitos adequados para aprender. •Dessa forma, tanto a semente quanto a criança para desenvolverem-se necessitam de uma intervenção mediada, cujo objetivo centra-se em corrigir e desenvolver as estruturas que trazem consigo, possibilitando dessa forma que utilizem o potencial já existente em cada um.
* Teresa Pereira - Supervisora e Terapeuta Psicopedagógica; Sócia-Gerente do Núcleo de Desenvolvimento do Potencial Cognitivo-NDPC, Coordenadora do Projeto Um Passo A Mais - desde 2000; Pedagoga – Universidade Candido Mendes-RJ; Formação no Programa de Enriquecimento Instrumental – Nível I e II-ICELP/Israel; Formadora de Aplicadores no Programa de Enriquecimento Instrumental - Nível I e II - ICELP/Israel; Formação em Programa de Enriquecimento Instrumental Básico-ICELP-Israel. Núcleo de Desenvolvimento do Potencial Cognitivo /NDPC - Centro Autorizado pelo International Center for the Enhancement of Learning Potential – Israel. [1] Mapa cognitivo: modelo de análise com sete parâmetros, através dos quais os materiais ou instrumentos operacionais podem e devem ser analisados de um ponto de vista cognitivo. Esta ferramenta tem a função de propiciar ao mediador um saber sobre o material. [2] Metodologia da mediação: é uma interação de qualidade e que caracteriza-se, não só pelo desenvolvimento das funções cognitivas que se apresentem deficitária, como também favorece a transmissão cultural. |